{"id":125,"date":"2026-02-21T18:05:33","date_gmt":"2026-02-21T21:05:33","guid":{"rendered":"https:\/\/publicacoes.dcmgovernanca.com.br\/?p=125"},"modified":"2026-02-23T10:02:09","modified_gmt":"2026-02-23T13:02:09","slug":"integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.dcmgovernanca.com.br\/?p=125","title":{"rendered":"Integra\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios ESG e dever fiduci\u00e1rio nas decis\u00f5es de investimento"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios ambientais, sociais e de governan\u00e7a (ESG) nas decis\u00f5es de investimento tem ganhado cada vez mais import\u00e2ncia, gerando debates sobre sua compatibilidade com os deveres fiduci\u00e1rios. Tradicionalmente, os administradores priorizam a maximiza\u00e7\u00e3o dos retornos financeiros, mas o aumento de investimentos sustent\u00e1veis tem desafiado esta tend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja nosso entendimento que a integra\u00e7\u00e3o de fatores ESG est\u00e1 alinhada com os deveres fiduci\u00e1rios, quando considerados juntamente com os objetivos financeiros de longo prazo, tal integra\u00e7\u00e3o, de fato, representa desafios jur\u00eddicos e econ\u00f4micos, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de desempenho financeiro e \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es dos gestores de fundos perante os cotistas do fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>E, embora historicamente, o dever fiduci\u00e1rio est\u00e1 atrelado \u00e0 maximiza\u00e7\u00e3o dos retornos financeiros, um conceito frequentemente vinculado a ganhos de curto prazo (Doutrina Friedman<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento\/#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a>), a contempor\u00e2nea integra\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios ESG (ambientais, sociais e de governan\u00e7a) \u00e0s decis\u00f5es de investimento representa uma mudan\u00e7a significativa tanto para a governan\u00e7a corporativa, quanto para as responsabilidades fiduci\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, como toda mudan\u00e7a de paradigma, enquanto falamos de integra\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios ESG \u00e0s estrat\u00e9gias de investimento, novas quest\u00f5es s\u00e3o colocadas em debate. Podem os administradores e gestores de fundo considerar crit\u00e9rios ESG sem violar suas obriga\u00e7\u00f5es? Como esses crit\u00e9rios afetam o desempenho financeiro no longo prazo?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dever fiduci\u00e1rio: arcabou\u00e7o jur\u00eddico e implica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Vale pontuar, que o dever fiduci\u00e1rio \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o legal imposta ao administrador ou gestor, quando em posi\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a, para agir no melhor interesse dos cotistas do fundo, ou conforme Modesto Carvalhosa<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento\/#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a>, o dever fiduci\u00e1rio do administrador:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>(\u2026) decorre de sua situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do poder (org\u00e2nico e n\u00e3o mandato) de dispor de bens alheios \u2013 os da companhia \u2013 como um propriet\u00e1rio, em decorr\u00eancia do exerc\u00edcio da gest\u00e3o da companhia, que lhes adv\u00eam da Lei e do Estatuto Social. Assim dispondo a Lei Societ\u00e1ria, o administrador \u00e9 revestido do dever fiduci\u00e1rio, que decorre do poder de gestionar a sociedade, cabendo-lhe faz\u00ea-lo visando a realiza\u00e7\u00e3o do seu objeto, atendida a sua fun\u00e7\u00e3o social (art. 154).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Desta feita, espera-se que administradores e gestores de fundo atuem com prud\u00eancia e lealdade, focando na maximiza\u00e7\u00e3o dos retornos e minimiza\u00e7\u00e3o dos riscos. Nos Estados Unidos, por seu turno, esse padr\u00e3o \u00e9 estabelecido pelo&nbsp;<em>Employee Retirement Income Security Act of 1974 (ERISA)&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento\/#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a>&nbsp;que imp\u00f5e estritos deveres de lealdade e cuidado aos administradores e gestores de fundos, que dever\u00e3o \u201c<em>desempenhar suas fun\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao plano exclusivamente no interesse dos participantes e benefici\u00e1rios, e\u201d<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>(A) com o prop\u00f3sito exclusivo de: (i) proporcionar benef\u00edcios aos participantes e seus benefici\u00e1rios; e (ii) cobrir as despesas razo\u00e1veis de administra\u00e7\u00e3o do plano;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(B) com o cuidado, a habilidade, a prud\u00eancia e a dilig\u00eancia que, nas circunst\u00e2ncias ent\u00e3o existentes, um homem prudente, atuando em uma capacidade similar e familiarizado com tais assuntos, empregaria na condu\u00e7\u00e3o de uma empresa de car\u00e1ter e objetivos semelhantes;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(C) diversificando os investimentos do plano de forma a minimizar o risco de grandes perdas, a menos que, nas circunst\u00e2ncias, seja claramente prudente n\u00e3o o fazer; e<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(D) em conformidade com os documentos e instrumentos que regem o plano, na medida em que tais documentos e instrumentos sejam consistentes com as disposi\u00e7\u00f5es deste t\u00edtulo e do t\u00edtulo IV. (tradu\u00e7\u00e3o livre)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, o dever fiduci\u00e1rio determina que administradores e gestores devem no melhor interesse do Fundo e seus cotistas devendo agir com prud\u00eancia, lealdade e dilig\u00eancia, sendo que, nos Estados Unidos, exige-se ainda que os administradores e gestores atuem com extrema cautela e foco no interesse dos cotistas, expressamente adotando pr\u00e1ticas que minimizem riscos e maximizem retornos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>ESG e dever fiduci\u00e1rio: desafios de compatibilidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Entretanto, a integra\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios ESG desafiam as regras fiduci\u00e1rias tradicionais ao agregar fatores n\u00e3o financeiros, tais como riscos clim\u00e1ticos, responsabilidade social e pr\u00e1ticas de governan\u00e7a, nas decis\u00f5es de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>E, se por um lado, os defensores do ESG afirmam que a integra\u00e7\u00e3o destes crit\u00e9rios melhora o desempenho financeiro de longo prazo ao mitigar riscos e capitalizar oportunidades sustent\u00e1veis, os cr\u00edticos afirmam que priorizar ESG em detrimento de ganhos imediatos pode violar as obriga\u00e7\u00f5es fiduci\u00e1rias, comprometendo o retorno de curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Veja, por exemplo, o problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que podem representar riscos significativos, incluindo interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de suprimentos e aumento de custos regulat\u00f3rios entre outros, que podem significar riscos financeiros consider\u00e1veis. Ao integrar crit\u00e9rios ESG \u00e0s atividades econ\u00f4micas, cria-se a oportunidade para que as empresas gerenciem esses riscos de forma proativa e, potencialmente, superem concorrentes que negligenciam tais fatores.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que os investimentos ESG, embora possam apresentar desempenhos inferiores no curto prazo, possam alinhar-se ou superar os \u00edndices de mercado no longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Equilibrando ESG e responsabilidades fiduci\u00e1rias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Dentro deste cen\u00e1rio, os administradores e gestores de fundos devem navegar por um arcabou\u00e7o legal complexo para que possam integrar o ESG em suas estrat\u00e9gias de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em jurisdi\u00e7\u00f5es como os Estados Unidos, onde o dever fiduci\u00e1rio enfatiza a primazia dos acionistas, administradores e gestores enfrentam potenciais desafios legais se priorizarem o ESG em detrimento dos retornos financeiros. Em pa\u00edses europeus, por outro lado, onde os interesses dos stakeholders s\u00e3o considerados, a integra\u00e7\u00e3o do ESG \u00e9 mais facilmente alinhada \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es fiduci\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mitigar os riscos legais, os administradores ou gestores devem garantir que os investimentos ESG sejam justificados por benef\u00edcios financeiros, como a melhoria dos retornos ajustados ao risco. A regra da prud\u00eancia, que orienta as a\u00e7\u00f5es fiduci\u00e1rias, exige que administradores e gestores avaliem os fatores ESG com o mesmo rigor que aplicam aos crit\u00e9rios financeiros tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O que imp\u00f5em uma mudan\u00e7a na forma como o desempenho financeiro \u00e9 medido. As m\u00e9tricas financeiras tradicionais podem n\u00e3o capturar totalmente os benef\u00edcios de longo prazo dos investimentos sustent\u00e1veis, de forma que novos frameworks para avaliar o impacto do ESG no desempenho das empresas investidas se faz necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de normas como o IFRS S1 e S2, que enfatizam a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de sustentabilidade, pode ajudar a preencher essa lacuna. Essas normas fornecem \u00e0s empresas diretrizes sobre como divulgar riscos e oportunidades relacionadas ao ESG, oferecendo aos investidores maior transpar\u00eancia e auxiliando os administradores e gestores na tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Normas de transpar\u00eancia e preven\u00e7\u00e3o de conflitos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O Brasil, de forma pioneira, promulga a Resolu\u00e7\u00e3o CVM 193\/2023, institucionalizando as normas IFRS S1 e IFRS S2, que representam um importante marco regulat\u00f3rio e um passo na melhora na transpar\u00eancia e gest\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es de sustentabilidade no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>As normas IFRS S1 e S2, que no Brasil ser\u00e3o denominadas CBPS 1 e 2, t\u00eam como intuito padronizar a divulga\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es financeiras e pr\u00e9-financeiras relacionadas \u00e0 sustentabilidade, tornando-as claras, compar\u00e1veis e consistentes na busca de um mercado global mais transparente e confi\u00e1vel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u2026)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>As normas IFRS S1 e S2, incorporadas na regula\u00e7\u00e3o brasileira pela Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM), muito provavelmente s\u00e3o as primeiras de uma s\u00e9rie de regulamenta\u00e7\u00f5es futuras que poder\u00e3o abranger quest\u00f5es relacionadas \u00e0 biodiversidade e direitos humanos. (IBGC \u2013 Guia para conselheiros: normas de sustentabilidade IFRS S1 e S2)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim, a IFRS S1 trata da divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre sustentabilidade, sa\u00fade e seguran\u00e7a, governan\u00e7a corporativa, entre outros que impactam as opera\u00e7\u00f5es das empresas, que dever\u00e3o fornecer dados de sustentabilidade integrados com os relat\u00f3rios financeiros, assegurando que os investidores compreendam como os riscos ambientais e sociais influenciam os resultados financeiros. O objetivo \u00e9 trazer maior transpar\u00eancia e confiabilidade aos stakeholders na gest\u00e3o das empresas, tendo como efeito secund\u00e1rio a preven\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas como o greenwashing, que \u00e9 o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es imprecisas ou exageradas sobre iniciativas sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A IFRS S2, por seu turno, foca na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es acerca das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) e como as empresas dever\u00e3o lidar com os riscos clim\u00e1ticos, orientando as empresas a apresentarem seus planos de transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono e indicando metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e estrat\u00e9gias para adaptar os neg\u00f3cios \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que o impacto das normas IFRS S1 e S2 nas opera\u00e7\u00f5es e nas finan\u00e7as das empresas, a curto, m\u00e9dio e longo prazo e o incremento na transpar\u00eancia na divulga\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es tenha um efeito positivo na mitiga\u00e7\u00e3o de potenciais lit\u00edgios ao fornecer dados s\u00f3lidos para avalia\u00e7\u00e3o dos investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o CVM 193, por seu turno, estabelece um cronograma para a ado\u00e7\u00e3o das normas internacionais pelas organiza\u00e7\u00f5es brasileiras, que ter\u00e3o a op\u00e7\u00e3o de aderir voluntariamente aos padr\u00f5es internacionais a partir de 2024, com a obriga\u00e7\u00e3o de conformidade a partir de 2026. O que dar\u00e1 um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o que permitir\u00e1 as organiza\u00e7\u00f5es a se adaptarem \u00e0s novas exig\u00eancias e promover a transpar\u00eancia, uma das pedras angulares do movimento ESG.<\/p>\n\n\n\n<p>A clareza e padroniza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es permitir\u00e3o uma melhor an\u00e1lise comparativa entre as organiza\u00e7\u00f5es de diferentes setores e jurisdi\u00e7\u00f5es, trazendo ainda a possibilidade de se comparar o desempenho em sustentabilidade de diferentes organiza\u00e7\u00f5es, o que se entende imprescind\u00edvel para os investidores, pois lhes permite tomar decis\u00f5es informadas e alinhadas com seus valores e metas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que a transpar\u00eancia \u00e9 um pilar fundamental do movimento ESG, e a Resolu\u00e7\u00e3o CVM 193 refor\u00e7a esse princ\u00edpio, ao estabelecer que as organiza\u00e7\u00f5es arquivem seus relat\u00f3rios de informa\u00e7\u00f5es financeiras relacionadas \u00e0 sustentabilidade por meio de um sistema eletr\u00f4nico dispon\u00edvel na p\u00e1gina da CVM, contribuindo para a acessibilidade das informa\u00e7\u00f5es e garantindo que as empresas cumpram com suas obriga\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o de maneira confi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta feita, espera-se que as empresas sigam diretrizes rigorosas para relatar seus riscos e oportunidades ESG, pois as informa\u00e7\u00f5es fornecidas ser\u00e3o mais confi\u00e1veis e estar\u00e3o sujeitas \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o por auditorias externas. O papel da CVM 193\/2023 tamb\u00e9m \u00e9 crucial para prevenir abusos no Brasil, alinhando o pa\u00eds com padr\u00f5es internacionais e obrigando as empresas a relatarem suas iniciativas de sustentabilidade de forma clara e audit\u00e1vel at\u00e9 2026.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise acerca da incorpora\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios ambientais, sociais e de governan\u00e7a (ESG) nas decis\u00f5es de investimento e sua compatibilidade com o dever fiduci\u00e1rio revela que os administradores e gestores de fundos podem, sim, considerar esses crit\u00e9rios sem violar suas obriga\u00e7\u00f5es fiduci\u00e1rias, desde que o fa\u00e7am com prud\u00eancia e dilig\u00eancia, e com o objetivo de maximizar os retornos financeiros de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o de que a considera\u00e7\u00e3o de fatores ESG poderia comprometer as obriga\u00e7\u00f5es fiduci\u00e1rias encontra oposi\u00e7\u00e3o nos estudos recentes e no arcabou\u00e7o legal de diversas jurisdi\u00e7\u00f5es, que veem na integra\u00e7\u00e3o desses crit\u00e9rios uma forma de mitigar riscos e garantir a sustentabilidade dos investimentos. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade inerente entre ESG e as obriga\u00e7\u00f5es fiduci\u00e1rias, desde que as decis\u00f5es de investimento sejam justificadas por uma avalia\u00e7\u00e3o s\u00f3lida dos benef\u00edcios financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao impacto dos crit\u00e9rios ESG no desempenho financeiro de longo prazo, h\u00e1 uma crescente evid\u00eancia de que a inclus\u00e3o desses fatores pode melhorar o desempenho ajustado ao risco.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco em ESG pode levar \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o de riscos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e0 responsabilidade social e \u00e0 governan\u00e7a corporativa, proporcionando vantagens competitivas \u00e0s empresas que adotam tais pr\u00e1ticas. Embora o desempenho financeiro de curto prazo possa ser afetado em alguns casos, o alinhamento com crit\u00e9rios ESG tende a gerar benef\u00edcios substanciais no longo prazo, contribuindo para a resili\u00eancia das empresas e dos fundos de investimento em mercados din\u00e2micos e complexos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o equil\u00edbrio entre o dever fiduci\u00e1rio e a integra\u00e7\u00e3o de fatores ESG \u00e9 n\u00e3o apenas poss\u00edvel, mas essencial para a promo\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de investimento que sejam simultaneamente financeiramente vi\u00e1veis e socialmente respons\u00e1veis. A evolu\u00e7\u00e3o das normas de transpar\u00eancia, como a Resolu\u00e7\u00e3o CVM 193\/2023 no Brasil, reflete esse movimento global e contribui para a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente de neg\u00f3cios mais robusto e sustent\u00e1vel, beneficiando tanto os investidores quanto a sociedade como um todo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p>BRASIL. Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios. Resolu\u00e7\u00e3o CVM n\u00ba 193, de 11 de julho de 2023<strong>.<\/strong>&nbsp;Disp\u00f5e sobre a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 sustentabilidade. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o: se\u00e7\u00e3o 1, Bras\u00edlia, DF, 12 jul. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>CARVALHOSA, Modesto. Coment\u00e1rios \u00e0 Lei de Sociedades An\u00f4nimas (arts. 138 a 205). 6. Ed. S\u00e3o Paulo; Saraiva, 2014. v. 3, p. 369.<\/p>\n\n\n\n<p>FRIEDMAN, Newton. A Friedman doctrine\u2010- The Social Responsibility Of Business Is to Increase Its Profits \u2013 The New York Times in:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/1970\/09\/13\/archives\/a-friedman-doctrine-the-social-responsibility-of-business-is-to.html%20-%20acessado%20em%2005\/02\/2024\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/1970\/09\/13\/archives\/a-friedman-doctrine-the-social-responsibility-of-business-is-to.html \u2013 acessado em 05\/02\/2024<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNAN\u00c7A CORPORATIVA \u2013 IBGC. Guia para conselheiros: normas de sustentabilidade IFRS S1 e S2<strong>.<\/strong>&nbsp;S\u00e3o Paulo: IBGC, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>UNITED STATES. Social Security Act. Washington, D.C.: U.S. Government Publishing Office, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.govinfo.gov\/content\/pkg\/COMPS-896\/pdf\/COMPS-896.pdf. Acesso em: 20 set. 2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento\/#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a>&nbsp;<em>FRIEDMAN, Newton. A Friedman doctrine\u2010- The Social Responsibility Of Business Is to Increase Its Profits \u2013 The New York Times in:&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/1970\/09\/13\/archives\/a-friedman-doctrine-the-social-responsibility-of-business-is-to.html%20-%20acessado%20em%2005\/02\/2024\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/1970\/09\/13\/archives\/a-friedman-doctrine-the-social-responsibility-of-business-is-to.html \u2013 acessado em 05\/02\/2024<\/a><em>&nbsp;\u2013&nbsp;<\/em><em>\u201c(\u2026) there is one and only one social responsibility of business\u2014to use its resources and engage in activities designed to increase its profits so long as it stays within the rules of the game, which is to say, engages in open and free competition without deception fraud.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento\/#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a>&nbsp;CARVALHOSA, Modesto. Coment\u00e1rios \u00e0 Lei de Sociedades An\u00f4nimas (arts. 138 a 205). 6. Ed.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo; Saraiva, 2014. v. 3, p. 369.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento\/#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a>&nbsp;UNITED STATES. Social Security Act. Washington, D.C.: U.S. Government Publishing Office, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.govinfo.gov\/content\/pkg\/COMPS-896\/pdf\/COMPS-896.pdf. Acesso em: 20 set. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Originalmente publicado no site: <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento\/\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-set-24\/integracao-de-criterios-esg-e-dever-fiduciario-nas-decisoes-de-investimento<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A incorpora\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios ambientais, sociais e de governan\u00e7a (ESG) nas decis\u00f5es de investimento tem ganhado cada vez mais import\u00e2ncia, gerando debates sobre sua compatibilidade com os deveres fiduci\u00e1rios. Tradicionalmente, os administradores priorizam a maximiza\u00e7\u00e3o dos retornos financeiros, mas o aumento de investimentos sustent\u00e1veis tem desafiado esta tend\u00eancia. 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